Porque é que a Palestina (ainda) não deve ser considerada como Estado?
Nos últimos dias/semanas, vários países "surfaram a
onda" e admitiram a existência do Estado Palestina. O mais recente caso-
Espanha- despoletou uma série de protestos em Portugal, dado que o nosso país,
mais concretamente o nosso PR, decidiu ficar de fora. Assim sendo, vou abordar
esta temática tão controversa.
Primeiramente, segundo Max Weber, “O Estado é uma comunidade
de homens fixada sobre um território, dotada de um poder supremo de comando”,
algo que a Palestina não possui, vemos as suas fronteiras a serem sistematicamente
alteradas. Neste momento, ninguém consegue adivinhar ou afirmar quais serão as
fronteiras da palestina no fim do conflito, que se pode muito bem estender e
atingir áreas que, no início, eram inimagináveis. Ou seja, dado a condição em que
a Palestina se encontra, o princípio base de um estado “Território definido” é,
naturalmente, violado.
Em segundo lugar, considero ser cedo demais para tomar estas
posições. Pessoalmente, defendo uma solução de dois estados independentes e soberanos.
Ainda assim, julgo que se está a dar um passo “maior que a perna”, pois, como
afirmei anteriormente, a Palestina não pode nem deve ser considerada como um território
com fronteiras bem estabelecidas. Ao serem tomadas posições tão radicais, como
assumir uma forte posição face a esta questão, acredito que se pode estar a
criar ainda mais fricção no conflito, sem que isso contribua significantemente para
o término da guerra, é certo que o reconhecimento internacional é deveras importante-
“O reconhecimento internacional é o ato pelo qual um estado demonstra a sua
aceitação da existência de outro estado como sujeito de direito internacional”,
Hersch Lauterpacht-, contudo, qual será a vantagem de assumir algo que não
segue o protocolo expresso nas teorias políticas?
Por último, Hans Kelsen afirma - “O Estado é a ordem total,
estabelecida juridicamente, da sociedade, que é necessária para a manutenção da
paz e da justiça no seu território”. Ora, o território da Palestina, neste momento,
não tem meios de garantir esta ordem generalizada, muito menos a paz.
A meu ver, os países, até mesmo os ocidentais, deveriam sancionar
Israel, mas sem nunca esquecer que, SIM, o Hamas é uma peça intrínseca à Palestina,
que certamente não é nenhuma vítima como muitos afirmam. Sou e sempre serei um
acérrimo defensor da paz, nunca esquecerei nem nunca ocultarei a minha visão,
que penso justa, por motivos ideológicos e esta “Carta Branca” que os países
tem passado a Palestina não é correta. Ambas as populações sofrem diariamente e
é profundamente desrespeitador utilizar essas mesmas populações como causas
partidárias e posições políticas. Celebremos sempre veementemente a paz, a
harmonia e o bem-estar GERAL do mundo!
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